Vida artística.
Ontem eu era artista. Hoje sou uma consequência do ontem. Hoje, sou mais artista ainda. Não sinto, não ando, não ajo, não vivo. E expresso sentimentos em minhas artes, em mim. Sou artista, fruto da arte. Ou, quem sabe, sou a flor que gerou o fruto; a arte. É quase o mesmo que dizer, que há ciência sem haver cientistas. Oras, o que é isso? Hahahaha. Um dia eu irei, não sou sólida. Minhas artes - sólidas - ficarão. Hoje sou um artista falido, amanhã - não mais viva - serei rica, e famosa.
Não se sabe a razão da existência, ou o propósito do universo, o que é, quem o fez, o que será, porque foi e porque é. Mas já tentam descobrir isso tem muito tempo, e quem sou eu para discutir existencialismo? Sou eu, Maria Gabriela Borges Mascarenhas, e me declaro um ser vivo, logo, posso discutir o meu existencialismo. De uma coisa estou certa. Não há razão de se estar aqui, e se tiver, peço que me digam antes de minha morte! Eu acho engraçado assistir aos bípedes lutarem pela sobrevivência ou por uma vida digna, se tudo que els fazem, o que eles são, um dia deixarar de ser, mesmo que para alguns - que também deixarão de ser - nós sejamos memória. Memórias que se vão, assim como as nossas daqueles que se foram.

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