Inbetween days

Impulsivamente - ou involuntáriamente -, estórias e histórias saem como escarros de um nariz resfriado.

Saturday, May 05, 2007

Século 21

Hoje me vi num episódio engraçado, nessa minha tediosa vida.

Lá estava eu num mercadinho em Setúbal, quando vi dois reais no chão. Usei da minha educação, e perguntei às senhoras que estavam ali, se era de alguma delas - caso não fosse, pegaria os dois reais pra mim, né. Mas aí é que entra a parte engraçada. A senhora disse, "já que não é de ninguém, é de quem viu pirmeiro" - que até então achava-se que teria sido eu, mas um rapaz, não, um homem - devia ter uns trinta e poucos anos - se abaixou, e num gesto rápido, pegou a nota e guardou no bolso. E todos riram de mim - como se pensassem: que boba ela, que burra. Bem, eu na minha inocencia, a princípio fiquei sem entender. Mas aí percebo, que o mundo é dos "espertos". Primordialmente fiquei chateada, pois aqueles dois reais, hoje, me salvariam - isso é fato -, mas aí eu refleti que, ali era um simples mercado, baixo escalão mesmo, e que aquilo podia ser a passagem de alguém, que agora iria voltar para casa com suas compras na chuva. Tolice minha, mas foi assim que pensei. Sinto-me triste por não estar tão penetrada nessa geração, onde independente do que se trate, o valor, os números, são o que importam. Pois é gente, é assim que o mundo vai pra frente. Usem da esperteza e consigam o que querem. Mas o recado ficará dado: Tenho rpa mim que esperteza não é inteligência, quiçá índole. Se bem usada pode ser sim, muito útil. Mas se usar de para o mal do próximo, é só lembrar que também tem alguém que quer o seu mal. :~