Poeira estrelar.

Vi minha infância passar como vejo os blocos nas ladeiras de olinda. Posso só apreciar e imaginar todas as faces por detrás daquelas máscaras, mas posso também estar junto a eles, participando, me divertindo e claro, mascarada. Mas os blocos são só momentos que servem de recordação e bons assuntos para todo o ano, até a chegada do próximo carnaval. Mas sabe-se que todo carnaval tem seu fim. E minha infância também teve um. Hoje me declaro não-criança por não só ter deixado de lado os brinquedos e brincadeiras, as bobagens e as cores. Mas porque hoje posso dizer que tenho um lugar na sociedade. Sociedade essa, que ainda não me vê como membro dela. Talvez por eu não ter tanto dinheiro, tanta idade ou um diploma. Mas tenho opniões, e que talvez, sejam influentes nela. Mas vai saber, né... Talvez por me achar tão adulta e achar que minhas opniões são fortes, talvez por apenas achar e não ser, eu ainda seja criança. Mas se bem que ser criança é muito melhor! Ficar de olhos vendados para a realidade singular e dura,viver num constante mundo de ilusões, alegrias, cores e sabores. Onde você ter um diploma ou uma opnião não interessa, basta ter imaginação. Crianças são todas iguais no ponto de vista social, inocentes, puras e bobas. São um escarro de esperma que se desenvolveu, pra quem sabe um dia se tornar um bípede... É, talvez os verdeiros adultos sejam as crianças. As cabeças não-pensantes que serão um futuro, assim como nós que não somos mais crianças somos o presente, e hoje, nã servimos mais para nada. Afinal, nossas opniões já estão formadas. E num mundo de constante mudança é necessário ser flexível. Quem são as verdadeiras crianças? Talvez ser criança não seja só uma fase do jogo que você terá que batalhar para digivolver, talvez as crianças não existam, pois vêem de bípedes pensantes e com opniões formadas e são postos no mundo como um espirro, uma a cada segundo, cada espirro uma criança. Nascem vivos e espertos, destinados a crescerem e se tornarem os tais bípedes, seres pensantes formadores de opniões. É, é bem complicado esse lance de ser humano, ora! "Ser Humano!" Ser um humano, ou ser um ser humano? Não importa. A questão em jogo é se você é espero e capaz de ser a sua própria isa e adquirir seus alimentos... Ou ser o alimento. Quer saber?! Um futuro ou m futuro perfeito? Que merda, grande merda. Viva, tenha status e dinheiro. Apareça em manchetes de jornais, capas de revistas, mostre para os demais que você é um bípede pensante formador de opnião, mesmo que para isso tenha que ficar pelado ou beijar aquele artista da televisão. Cresça e aparesça! Isso que importa! Ser só mais um..? Que bosta, uma grande bosta. Você vai ser só mais um omisso e obrigado à aceitar a opnião dos outros.. Opa! Logo, se apenas aceitar as opniões mostra que você não é um bípeder, um ser pensante e formador de opniões.. Você é só uma criança. Mas se somos todos omissos, de certa forma, somos todos crianças, e como as crianças inexistem, o que somos? É, nós não somos nada. Somos apenas peira estrelar. Ou um conjunto de átomos, moléculas ou ligações de CH. Ou somos o espirro de Deus, cada um de nós sendo uma gota de cuspe que oi posta pra fora durante um dos seus espirros.. Mas cuidado! Deus é alérgico, e somos poeira demais para suas narinas...
Aqui estou eu, Gabriela, 16 anos, 11 de dezembro. Terminei meu segundo ano, em pouco tempo serei terceiro, mudarei minha mente, meus pensamentos e meu futuro. E tudo que vivi até hoje, nada servirá. E é agora que vou olhar para trás e ver todo tempo que perdi. Poderia ter me dedicado mais aos estudos, e quem sabe, tentar medicina ano que vem, como tanto quero. Mas desisto da idéia só em pensar que em um ano não vai mais dar tempo de recuperar os 16 perdidos. Quantos livros podia ter lido, quantos 10 podia ter tirado, quantos amigos podia não ter perdido, quantos namorados podia ter tido, quantas discussões desnecessárias poderia ter evitado, quantos ahows poderia ter ido, quantos amigos podia ter feito e quantos amores. Às vezes penso como todo mundo, "ah, era para ter sido assim", por hora penso que foi tudouma questão do ser em questão ser muito impulsivo, ou por achar que os momentos, o agora, é mais importante. Mas eu me esqueci que o agora - no caso o ontem - é o agora de hoje - que nocaso, seria o amanhã. E fico nessa, perdendo tempo me lamentando pelo que podia ou não ter feito. É, perda de tempo. Mas que pena, já não sou quem eu queria ser. E agora estou em mais um final de ano repetindo a mesma frase: "Ano que vem eu estudo". É, masagora eu me esqueci que ano que vem, é o último. E que talvez não dê tempo de recuperar. Mas agora, o máximo que poderei fazer é arcar com as consequências.

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